O que é Parkinsonismo?

Parkinsonismo - diagnostico e tratamento

A doença de Parkinson é uma das doenças degenerativas neurológicas mais frequentes. Na verdade, a doença de Parkinson vem em segundo lugar no ranking, perdendo apenas para a Doença de Alzheimer. Na busca pelo diagnóstico do Parkinson, muitos pacientes se deparam com o termo parkinsonismo que encontram na internet ou que os médicos falam. Nesse texto vamos explicar o que é parkinsonismo e sua importância no diagnóstico do Mal de Parkinson e doenças relacionadas.

O Mal de Parkinson afeta o sistema motor

Além de ser a segunda doença neurodegenerativa mais frequente, o mal de Parkinson é a principal patologia do sistema motor extrapiramidal. Por ser tão frequente, é natural que as doenças com manifestações semelhantes sejam comparadas ao Parkinson. Daí surgiu o termo parkinsonismo.

O parkinsonismo é um conjunto de sintomas, não uma doença

Quando se usa o termo parkinsonismo em neurologia, estamos simplesmente nos referindo a sintomas motores que costumam a aparecer na doença de Parkinson. De fato, a causa mais frequente de parkinsonismo é mesmo o Mal de Parkinson. Mas nem todo parkinsonismo é causado por Mal de Parkinson!

Ao examinar um paciente com parkinsonismo, cabe ao neurologista investigar as causas possíveis. Embora a principal causa seja a doença de Parkinson, as duas coisas não são sinônimos, nem são necessariamente ligadas.

Um exemplo simples: medicamentos para esquizofrenia deixam o indivíduo lentificado e rígido. Isso é um parkinsonismo causado por medicação prescrita. Outras substâncias comuns que causam parkinsonismo são a flunarizina (Vertix, Vertizine etc) e a cinarizina (Stugeron e outros). Ambas são utilizadas para tratamento de labirintite e não são recomendadas para idosos justamente pelo risco de tais efeitos colaterais.

Quais são os sintomas que caracterizam o parkinsonismo?

Os sintomas que compõem o parkinsonismo são: bradicinesia, rigidez plástica, tremor de repouso e instabilidade postural e da marcha

  • Bradicinesia significa “lentidão de movimentos”. Esse é o principal sintoma de parkinsonismo. Pode ser observado espontaneamente na diminuição do piscamento ocular. No consultório pedimos para o paciente bater com o pé no chão repetidamente e com os dedos para observar a velocidade diminuída.
  • Rigidez plástica é uma forma especial de rigidez que lembra o movimento de resistência contínua e suave que sentimos ao manipular um material como a cera. Por isso é chamada de rigidez do boneco de cera. Testamos isso movimentando passivamente as articulações do paciente.
  • Tremor de repouso é o tremor que aparece quando a mão não está realizando uma ação. Na semiologia neurológica, chamamos o aspecto de tremor de contar moedas
  • Instabilidade postural é uma tendência a queda que se observa no parkinsonismo principalmente quando o paciente muda a direção da caminhada. É testado no consultório com uma puxada para trás. (pull back test)

Veja um vídeo em inglês com os sintomas de parkinson sendo examinados AQUI

Causas possíveis de parkinsonismo

A investigação neurológica busca definir também a causa do parkinsonismo, de modo a chegar ao diagnóstico correto. Os tratamentos podem variar de acordo com as causas.

Vejamos algumas das causas abaixo:

  • Parkinsonismo idiopático:  Mal de Parkinson
  • Síndromes parkinsonianas atípicas: Paralisia SupranuclProgressiva, Atrofia de Múltiplos sistemas, Degeneração Córtico-basal
  • Parkinsonismo heredodegenerativo: normalmente o parkinsonismo é associado a outros sintomas neurológicos. por exemplo: doença de Wilson, parkinsonismo-distonia associada ao cromossomo X, ataxias espinocerebelares
  • Parkinsonismo secundário: causado por drogas, medicamentos, traumas, lesões vasculares ou estruturais, infeccioso, imunológico, metabólico e tóxico

Por que acontece o parkinsonismo?

Como vimos, várias causas diferentes podem gerar sintomas semelhantes que lembram a doença de Parkinson. O motivo para isso é que todas essas doenças interferem no mesmo local e sistema do cérebro. Esse sistema é chamado de sistema motor dopaminérgico. É composto por neurônios que produzem a dopamina no tronco encefálico e a despejam na região dos gânglios da base que fica no meio do cérebro.

Então, quando vemos um paciente com parkinsonismo, estamos apenas verificando que está faltando dopamina na região dos gânglios da base. O próximo passo será identificar nuances que apontem para a causa específica dos sintomas.

O que fazer a respeito

Quando se observam sintomas de lentidão de movimentos, rigidez, tremor e instabilidade, é preciso procurar um especialista. Com frequência, os geriatras percebem as alterações no idoso e encaminham para avaliação neurológica.

É importante saber que o diagnóstico é feito no consultório de um neurologista capacitado e não por meio de exames complementares. A ressonância, tomografia e SPECT com traçador de dopamina não fazem o diagnóstico; mas dão suporte para o processo do neurologista.

Estamos à disposição para avaliar pacientes com esses sintomas e tratar apropriadamente a partir do diagnóstico. Se desejar conhecer mais, leia nossa página dedicada à Doença de Parkinson.

Roger Taussig Soares
Neurologista – São Paulo
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