O que é Demência Senil?

O termo “demência senil” causa muita confusão e uma boa dose de sofrimento. Apesar de ser um termo errado e ultrapassado, ainda persiste em muitos locais. Entenda porque não se fala mais em “demência senil” nos próximos parágrafos.

Idade avançada não é causa de demência

Não é normal uma pessoa ficar demenciada simplesmente porque está velha. Na verdade, a maioria dos idosos continua plenamente funcional, mantendo a posse de suas faculdades mentais. O que é normal é ficar um pouco mais esquecido com a idade. Entretanto, muitas pessoas usam o termo demência senil como se ter demência fosse algo normal para os idosos.

Diante de uma queixa de perda de memória em uma pessoa da terceira idade, cabe ao neurologista investigar o funcionamento cerebral para determinar se existe uma perda maior que a esperada para o envelhecimento. Como regra simples, podemos dizer que no envelhecimento normal a pessoa continua capaz de cuidar das obrigações da vida, como fazer compras, manter a conta do banco e estar em dia com as atualidades. O idoso normal é independente nas decisões e mantém um padrão de funcionamento estável.

Testes feitos no consultório podem avaliar se a perda de memória é maior que a esperada para a idade

Demência é um termo inadequado e está caindo em desuso

A palavra demência é carregada de conotações negativas. Por vezes é até utilizada como uma ofensa. Desse modo, a comunidade científica e médica tem se esforçado para abandonar seu uso.

Tecnicamente demência refere a um declínio cognitivo adquirido, que afeta pelo menos 2 domínios da cognição e que interfere com a funcionalidade do indivíduo. Uma pessoa que nasceu com uma deficiência intelectual não pode ser considerada como portadora de demência. Além de ser algo adquirido, o declínio das funções mentais tem que ser amplo. Ou seja, deve comprometer capacidades como memória, linguagem, atenção, funções executivas, percepção visuoespacial e comportamento (cognição social). Por fim, o problema do cérebro deve impedir que a pessoa seja independentes para as atividades da vida diária.

Nos últimos anos, o termo demência foi substituído por “Transtorno Neurocognitivo Maior”. Essa nomenclatura deve ser usada ao se referir a portadores de perdas cognitivas devidas a Alzheimer e outras doenças degenerativas do cérebro. Mas sabemos que isso levará um tempo.

A principal demência senil é o Alzheimer

Vimos que demência não é uma doença específica. Apenas descreve uma situação de perda das capacidades cognitivas. Em idosos, a principal causa de demência é a Doença de Alzheimer. Em realidade, quase 80% das demências dos idosos é consequência da Doença de Alzheimer. O médico especialista pode solicitar exames clínicos que ajudam a determinar a causa do transtorno neurocognitivo. A ressonãncia, o líquor e o PET CT podem dar informações específicas para a definição do problema.

Como a doença de Alzheimer torna-se mais frequente com o avanço da idade, chegando a 45% em indivíduos com mais de 85 anos, o senso comum passou a acreditar que é normal ter demência pela idade. Contudo, estudos de autópsia revelaram que a grande maioria dos pacientes idosos com demência tinham, na verdade, doença de Alzheimer.

No Alzheimer existe acúmulo e depósito de amilóide e proteína tau

Além do Alzheimer, existem outras doenças que podem causar uma “demência senil”, como a doença vascular cerebral, a doença de Corpos de Lewy e outras degenerações menos frequentes.

Pelo envelhecimento sem demência

É possível viver uma vida plena de saúde e realização até o seu término. Cada vez mais se investe em pesquisas que nos ajudem a entender o processo do envelhecimento e como evitar doenças mais frequentes com a idade. Sabemos que uma dieta balanceada como a mediterrânea, a abstenção do uso de cigarro, o controle da obesidade e tratamento de certas doenças pode diminuir a incidência de Alzheimer. A prática regular de exercícios físicos e o controle do diabetes e da pressão alta podem favorecer o envelhecimento mais saudável.

Viver bem significa buscar a felicidade sem comprometer a saúde. Esse é o caminho do futuro. Mantenho seu corpo e seu cérebro saudáveis!

Roger Taussig Soares
Neurologista – São Paulo
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Comments
    • Olá Gerusa!
      O adesivo a que você se refere é o Exelon patch. Ele contém uma substãncia ativa chamada rivastigmina. A função da rivastigmina é aumentar a quantidade de acetilcolina no cérebro. Os mecanismos de memória dependem da acetilcolina e por isso melhoram com o uso do adesivo. Mas é importante lembrar que o medicamento não recupera o cérebro e nem evita a progressão da doença. Seu efeito é apenas o de aumentar o combustível para a memória. abs

    • Obrigado Sandra!
      Minha intenção é levar informações de qualidade para o público leigo. Sinto que existe uma distância grande entre a comunidade científica e os pacientes/familiares. Tento tornar os conteúdos científicos mais acessíveis e as pessoas mais conscientes.

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