Perceber os sinais da Doença de Alzheimer em um ente querido ou em si mesmo pode ser um momento de grande angústia e incerteza. Você provavelmente tem muitas perguntas e preocupações. Saiba que você não está sozinho e que existem caminhos para garantir qualidade de vida, conforto e o melhor cuidado possível. Meu nome é Dr. Roger T. Soares, e meu trabalho é guiar você e sua família nesta jornada com conhecimento e acolhimento.

Os 10 Sinais de Alerta da Doença de Alzheimer: Quando Procurar um Neurologista?

A perda de memória é o sintoma mais conhecido, mas não é o único. Ficar atento aos primeiros sinais é fundamental para um diagnóstico precoce. Observe se você ou seu familiar apresenta:

Executivo com mais de 60 anos trabalhando
As dificuldades podem aparecer durante a fase produtiva da vida
  • Perda de memória recente que afeta o dia a dia: Esquecer informações sobre acontecimentos recentes, datas importantes ou repetir a mesma pergunta várias vezes.
  • Dificuldade para planejar ou resolver problemas: Problemas para seguir um plano, como uma receita, ou para gerenciar as finanças.
  • Problemas para executar tarefas familiares: Dificuldade em realizar tarefas rotineiras, como dirigir para um local conhecido ou lembrar as regras de um jogo.
  • Confusão com tempo ou lugar: Perder a noção de datas, estações e da passagem do tempo.
  • Problemas de visão e compreensão de imagens: Dificuldade para ler, julgar distâncias ou identificar cores.
  • Dificuldades com a fala ou escrita: Problemas para encontrar a palavra certa ou participar de uma conversa.
  • Colocar objetos fora do lugar: Guardar coisas em locais incomuns e não conseguir encontrá-las depois.
  • Julgamento diminuído ou pobre: Tomar decisões ruins, como em questões financeiras, ou descuidar da higiene pessoal.
  • Afastamento do trabalho e de atividades sociais: Abandonar hobbies, projetos e compromissos sociais.
  • Mudanças de humor e personalidade: Tornar-se confuso, desconfiado, deprimido, medroso ou ansioso.

Se você reconhece vários desses sinais, o próximo passo é buscar uma avaliação profissional.

Como é Feito o Diagnóstico do Alzheimer?

Muitas pessoas temem o diagnóstico, mas ele é a chave para iniciar o cuidado correto. O diagnóstico da Doença de Alzheimer é um processo cuidadoso que combina o atendimento médico com exames complementares. Alguns exames servem para descartar outras causas tratáveis de problemas cerebrais. Outros exames se destinam a confirmar que, de fato, estamos diante da doença de Alzheimer, direcionando o tratamento para algo mais específico.

Imagem de uma ressonância magnética do cérebro sendo analisada pelo Dr. Roger Soares para o diagnóstico de Alzheimer.
A ressonância magnética é importante no diagnóstico

Em nosso consultório, o processo geralmente inclui:

  1. Conversa Detalhada (Anamnese): Uma escuta atenta da história do paciente e dos relatos da família para entender o início e a evolução dos sintomas.
  2. Avaliação Cognitiva: Aplicação de testes específicos para avaliar a memória, a linguagem, o raciocínio e outras funções cerebrais.
  3. Exame físico e neurológico: tem por objetivo investigar sinais de doenças que se confundam com Alzheimer, como Parkinson e outros problemas.
  4. Exames de Imagem: Como ressonância magnética ou tomografia computadorizada, que nos ajudam a visualizar a estrutura do cérebro e a excluir outras condições, como tumores ou AVC.
  5. Exames Laboratoriais: Análises de sangue para verificar se os sintomas não são causados por deficiências de vitaminas, problemas de tireoide ou outras alterações clínicas.
  6. Exames específicos: Nos casos necessários, solicitamos exames ainda mais avançados para pesquisar os marcadores próprios da doença de Alzheimer no líquor, no sangue ou com exames de imagem.

Com base em todos esses dados, conseguimos chegar a um diagnóstico preciso e, a partir daí, traçar o melhor plano de tratamento individualizado.

Existe tratamento para o Alzheimer? O que podemos fazer hoje

Embora ainda não exista uma cura para a Doença de Alzheimer, é um engano pensar que não há nada a ser feito. Pelo contrário, vivemos um momento de esperanças para os portadores e familiares pelo aparecimento de novos medicamentos que podem até estancar a evolução da doença. As expectativas são ainda melhores, considerando a quantidade de medicamentos sendo desenvolvidos. Portanto, a hora de enfrentar o diagnóstico e buscar tratamento é agora!

Como cuidamos dos nossos pacientes:

  • Medicação para os Sintomas Cognitivos: Utilizamos medicamentos como os anticolinesterásicos, que podem ajudar a melhorar a memória e a clareza mental em alguns pacientes, aliviando os sintomas causados pela lesão neurológica.

  • Controle dos Sintomas Comportamentais: Quase todos os pacientes desenvolvem sintomas como depressão, ansiedade ou alterações de sono. Temos medicamentos eficazes para tratar essas condições, o que melhora imensamente a qualidade de vida do paciente e a harmonia familiar.

  • Cuidado Multidisciplinar: Recomendamos tratamentos complementares, como fisioterapia, fonoterapia e reabilitação cognitiva, que ajudam a manter a independência e as habilidades do paciente por mais tempo.

  • Terapia anti-amilóide: novos medicamentos que removem o amilóide beta do cérebro são capazes de diminuir a progressão da doença.

Nosso objetivo é sempre aliviar o sofrimento e melhorar o bem-estar, garantindo o conforto do paciente em todas as fases da doença.

O que é a doença de Alzheimer? Uma explicação clara para pacientes e familiares

A Doença de Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro. Isso significa que ela destrói gradualmente as células do sistema nervoso, de forma mais acelerada que o esperado para o envelhecimento normal.

À medida que o cérebro atrofia, torna-se incapaz de fazer suas funções.

Primeiro a pessoa apresenta dificuldade em  atividades complexas, como fazer seu imposto de renda, organizar suas finanças e se lembrar dos compromissos. Aos poucos a incapacidade de aprender coisas novas torna-se evidente.

Conforme a doença avança, surgem sintomas de mudança de comportamento como: tristeza, irritabilidade, preferência por doces, agitação e mesmo alucinações ou delírios.

Por fim, o paciente se esquece de sua própria história de vida, tem dificuldade de reconhecer familiares e passa a precisar de ajuda para atos simples, como se vestir, alimentar-se ou tomar banho.

Por que o Alzheimer acontece? Entenda as causas

Entendemos cada vez melhor a doença de Alzheimer graças ao enorme avanço em pesquisas científicas nos últimos 20 anos.

Apesar de não terem surgidos novos tratamento impactantes nesse período, o conhecimento construído até agora propiciou o grande salto que vivemos atualmente.

A doença de Alzheimer é entendida hoje através de um modelo de 3 etapas – o modelo ATN:

  1. Amilóide: o acúmulo da proteína amilóide no cérebro
  2. Tau: formação dos agregados de proteína Tau
  3. Neurodegeneração: destruição progressiva do cérebro

Graças a esse modelo de entendimento do Alzheimer, é possível acompanhar a progressão da doença muitos anos antes dos primeiros sintomas. Em consequência, os novos tratamentos se direcionam para atacar o problema na sua raiz desde cedo.

Acúmulo de proteína amilóide no cérebro

Muitos anos antes dos primeiros sintomas, a doença de Alzheimer se inicia pelo acúmulo de uma proteína chamada amilóide beta.

Essa proteína existe naturalmente e tem funções de controle das atividades celulares. Entretanto, por razões não totalmente esclarecidas, ela começa a formar filetes de proteínas (oligômeros) que se aglutinam ainda mais formando as placas de amilóide.

Essas placas de amilóide localizadas entre as células do cérebro atrapalham o funcionamento do sistema nervoso e tem efeito tóxico.

Estudos com PET-CT são capazes de detectar a formação dessas placas amilóides até mais de 10 anos antes das primeiras dificuldades de memória.

Acúmulo de proteína Tau no cérebro

A segunda etapa do desenvolvimento da doença de Alzheimer é caracterizada pelo acúmulo da proteína Tau.

Essa proteína existe naturalmente dentro dos neurônios e é responsável pela manutenção da estrutura interna das células, formando um esqueleto interno com os chamados microtúbulos.

Depois de um tempo acumulando o amilóide, o cérebro passa a funcionar mal e isso afeta a proteína Tau. O que acontece é que a proteína Tau começa a receber átomos de fósforo e perde sua forma normal. 

A proteína Tau fosforilada forma um acúmulo dentro das células nervosas, chamado de emaranhado neurofibrilar que é altamente tóxico para os neurônios. Nesse ponto se inicia o terceiro marco do desenvolvimento cerebral do Alzheimer: a neurodegeneração.

A neurodegeneração e a progressão do Alzheimer

A terceira etapa é a neurodegeneração deflagrada pelas duas etapas anteriores. Nessa fase, a toxicidade das proteínas Amilóide e Tau ativam reações inflamatórias dentro do cérebro, levando à morte dos neurônios.

Conforme a doença se espalha, as áreas atingidas perdem suas funções e os sintomas se manifestam.

Nos exames de imagem, como a ressonância magnética, podemos observar o cérebro atrofiado nas áreas mais acometidas.

Em geral os primeiros sintomas da doença de Alzheimer são relacionados à perda de memória para fatos recentes. O paciente se torna muito repetitivo, perguntando as mesmas coisas ou fazendo os mesmos comentários várias vezes. Isso decorre do comprometimento de uma estrutura do cérebro chamada “hipocampo”.

Os hipocampos ficam nos lobos temporais e deles dependem a formação de novas memórias e a recuperação de memórias antigas. Como os lobos temporais são normalmente afetados precocemente pela doença de Alzheimer, os sintomas de perda de memória são os primeiros a aparecerem. À medida que outras áreas são danificadas, sintomas correspondentes se manifestam.

Tratamento da Doença de Alzheimer

O que podemos fazer pelo paciente com Doença de Alzheimer?

Como a doença é progressiva, muitos podem pensar que não há nada a fazer, mas estão enganados. Em realidade, podemos ajudar muito a vida do paciente e dos familiares que cuidam dele ou dela. 

Em primeiro lugar, os medicamentos aprovados para a Doença de Alzheimer melhoram o desempenho cerebral do paciente, aliviando os sintomas.

Outro ponto importante é que quase todos os pacientes desenvolvem sintomas como depressão, ansiedade, alteração de sono etc e temos medicamentos específicos para isso.

Com os tratamentos adequados a família pode ter momentos muito bons com os pacientes e construir memórias agradáveis para guardar no coração.

Por fim, nas fases avançadas da doença, cuidamos para garantir o conforto da pessoa e diminuir ao máximo o sofrimento. Lutamos para preservar a dignidade do paciente,  respeitando sua história pessoal.

Como dar o melhor atendimento ao paciente com Alzheimer

A Doença de Alzheimer é bastante complexa e quanto mais experiente o profissional, mais suporte conseguirá fornecer para a família. Como nosso foco de atendimento é a neurologia cognitiva e comportamental, o Alzheimer é o maior contingente dos nossos pacientes. Temos acompanhado famílias que passaram por essa experiência há mais de três décadas e temos o conhecimento para ajudar em todas as fases da doença. 

Muitas vezes recomendamos tratamentos complementares como fisioterapia, fonoterapia, reabilitação cognitiva. Também orientamos as maneiras de prevenção de acidentes domésticos e como engajar o paciente em atividades terapêuticas. Além disso, não esquecemos que os cuidadores podem sofrer de sobrecarga e auxiliamos no bem-estar psíquico de quem cuida.

Você pode aprender ainda mais sobre a Doença de Alzheimer lendo os textos que preparamos. Clique no link para ler nossos artigos sobre Alzheimer.

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Sua família merece um tratamento de excelência.

Roger Taussig Soares
Neurologista SP
crm 69239

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