Síndrome de Down – amor à flor da pele

Quando era adolescente fui fazer um curso de inglês em Exeter na Inglaterra. Lembro que estava em um ponto de ônibus quando um cartaz com uma foto grande de uma pessoa com Down me chamou a atenção. Nele estava escrito: “Você o chama mongolóide, os médicos o chamam de Down, sua família o chama de David.” Como se percebe, não esqueci mais daquela mensagem e de como os rótulos são injustos. Eles resumem a poucas características a complexidade do que é ser uma pessoa. As pessoas com síndrome de Down são pessoas como as demais e têm algo a contribuir para o mundo.

Para quem não sabe, a síndrome de Down é o resultado de uma alteração genética denominada de trissomia do cromossomo 21. Isso significa que em vez de ter 2 cromossomos 21, os portadores da síndrome possuem 3. Por conta desse cromossomo a mais, surgem manifestações físicas características. As pessoas com Síndrome de Down tem semelhanças entre si no formato dos olhos e das pálpebras, no tamanho da língua, nas linhas da mão e tem um atraso no desenvolvimento mental.

Não bastasse o desafio de ter um filho que dependerá de você a vida toda, muitos pais ainda tem que lidar com o preconceito que infelizmente persiste na sociedade. Por isso são necessárias ações para aumentar o entendimento do público geral e diminuir a ignorância, fonte de todo preconceito. Algumas organizações para o aumento da consciência sobre a síndrome defendem que ela não é uma doença, mas sim uma maneira diferente de ser humano.

Recomendo um filme chamado “O Oitavo Dia”, um filme franco-belga de Jaco van Dormael, meio drama meio comédia, que conta a amizade entre um executivo e um rapaz com síndrome de Down que o salva da loucura da sua vida sã. O filme trata também de um tema bastante sensível que é a inclusão sexual para os portadores da síndrome de Down.

Acho que as pessoas com Down têm uma missão importante no mundo. Elas são capazes de ensinar que a capacidade intelectual não é tudo. Mesmo tendo uma deficiência na inteligência, elas são na maioria portadoras de muito amor e alegria. Para aqueles que tem a sensibilidade, elas ensinam a “via do coração” e podem ser catalisadores de grandes mudanças na personalidade. Atualmente damos um valor excessivo para a razão e esquecemos da emoção e, com ela, da compaixão, da fraternidade e outros valores que se aprendem com o sentimento mais que com o intelecto.

De fato, esses seres especiais transformam a vida das famílias em que encarnam. Ensinam que da insegurança surge a esperança, da dor nasce a alegria e do desafio brota o crescimento. Os pais de uma pessoa com Down se sentem enriquecidos por suas lições e, em geral, florescem como indivíduos apesar do momentos difíceis.

Em homenagem ao dia mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, fiz o upload no meu canal do YouTube de um vídeo veiculado pela organização Wouldn’t Change a Thing e acrescentei legendas em português. É um vídeo feito sobre a música A Thousand Years de Christina Perri, originalmente apresentada no filme Crepúsculo.

No vídeo com mães e seus filhos com Down a letra da música ganhou um novo significado. Ficou tão linda que é difícil não se emocionar assistindo. Espero que vocês também se sintam tocados como eu.

Roger Soares

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