Remédios para TDAH – segurança cardiovascular

Atualizado pela última vez em 01/06/2024

Muitos têm receio dos remédios para TDAH

Os tratamentos mais eficazes para o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade baseiam-se no uso de medicamentos estimulantes do sistema nervoso central. Comercialmente disponíveis no Brasil, representam essa classe de drogas o Metilfenidato (Ritalina e Concerta) e a Lixdexamfetamina (Venvanse). Como essas medicações aumentam a atividade de neurotransmissores cerebrais como a dopamina e a noradrenalina, existe a preocupação que seu uso possa gerar consequencias negativas para o sistema cardiovascular e para a circulação cerebral, predispondo os usuários a infarto do miocárdio, arritmia cardíaca ou acidente vascular cerebral.

Efeitos dos remédios para TDAH sobre o coração e a pressão

Sabe-se já há algum tempo que o uso dos estimulantes para o tratamento de TDAH está associado a um aumento da pressão arterial (de até 5 mmHg) e a um aumento da frequência cardíaca (até 7 batimentos por minuto). A pergunta é se esse aumento de pressão e frequência cardíaca poderíam ocasionar um maior risco de morte súbita, arritmia ventricular e AVCs. Para avaliar essa possibilidade, foi realizado um estudo publicado no American Journal of Psychiatry em fevereiro de 2012 que analisou os riscos cardiovasculares e cerebrais em 43.999 pacientes adultos em uso de metilfenidato por no mínimo 180 dias no período de 1999-2006. Esses dados foram comparados com 175.955 pessoas que não usavam a medicação.

Metilfenidato pode aumentar o risco de arritmia cardíaca

A análise dos dados revelou que os pacientes que aqueles que tomaram metilfenidato tiveram uma chance de ter uma arritmia ventricular ou morte súbita de 2,17 por 1000 pessoas-ano, enquanto que nos que não tomavam o risco foi de 0,98 por 1000 pessoas-ano o que gerou um taxa de risco (hazard ratio) em análise de sobrevida de 1,84. O aumento de chance foi observado apenas em arritmia ventricular/morte súbita e não foi identificado maior risco de morte em geral, acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio nos utilizadores de metilfenidato nesse estudo.

figura de coração sobre um traçado de eletrocardiograma

Somente um grupo específico de pacientes teve risco de arritmia

Curiosamente, não se observou uma relação entre a dose de metilfenidato e o risco de arritmia ventriculares. De fato, apenas o grupo que fazia uso de 20mg por dia tiveram o risco aumentado para os referidos problemas cardíacos. Nem aqueles que tomaram doses maiores, nem os que tomaram doses menores que a citada apresentaram esse efeito. Essa observação levou os pesquisadores a questionarem esse achado e talvez o aumento notado no risco de arritmia ventricular não se devesse diretamente ao uso do metilfenidato.

Uma das hipóteses levantadas foi a de que os indivíduos que receberam a dose mais baixa de metilfenidato (20mg/dia) pudessem já ter outras condições clínicas que os tornavam mais suscetíveis a problemas cardíacos e por isso já haviam recebido doses mais baixas da medicação. Fatores como a idade, a fragilidade física ou outros não detectados no estudo poderiam confundir a análise e gerar o efeito observado.

Outros estudos demonstraram segurança no uso de metilfenidato mesmo em idosos

Outro estudo publicado no Journal of the American Medical Association em dezembro de 2011 com pacientes de até 65 anos não identificou maior risco de eventos cardiovasculares ou AVC em pacientes que utilizaram medicamentos para Déficit de Atenção e Hiperatividade.

Nos Estados Unidos, cerca de 1.500.000 adultos recebem tratamento com estimulantes do sistema nervoso central para tratamento de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. No Brasil, o diagnóstico de TDAH tem aumentado provavelmente devido a maior conhecimento do problema e educação crescente da população. Considerando que o tratamento dessa condição com remédios para TDAH pode melhorar significativamente a vida acadêmica e profissional dos indivíduos afetados, é preciso ter profissionais bem treinados e atualizados para a utilização correta dos medicamentos disponíveis de modo a obter o melhor benefício e minimizar os riscos para os pacientes.

Roger Taussig Soares
Neurologista SP
crm 69239

Compartilhe nas suas redes:
Foto de roger.soares
Dr. Roger Soares é médico neurologista, graduado em medicina em 1990 pela Universidade Estadual de Londrina e especializado em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da USP. Mora em São Paulo há mais de 30 anos e é médico credenciado dos maiores hospitais da capital paulista. Atualmente se dedica exclusivamente ao tratamento de seus pacientes particulares no consultório no Tatuapé.

Respostas de 22

  1. Gostei do artigo, e gostaria de tirar uma dúvida. Minha filha tem TDAH, ela tem 7 anos e toma Ritalina e fluoxetina, e esses dias está se queixando de dor de cabeça e coração acelerado, isso poderia ser reação dos remédios?

    1. Olá Kely
      Sim, os sintomas da sua filha podem estar relacionados aos medicamentos.
      Mas isso não é motivo de parar o tratamento.
      Ela precisa ser avaliada e ver se é necessário trocar a medicação.
      Você pode marcar uma consulta comigo. Basta entrar em contato com minha secretária por WhatsApp. Clique aqui.

  2. Tenho arritmia cardíaca ,segundo o médico essa arritmia não me levaria a morte , faço o uso de hemifumarato de bisoprolol 10 mg, e desconfio ter TDAH , teria riscos pra mim caso o médico me receitas de ritalina ? Por conta dessa arritmia!

    1. Olá Patrícia,
      Depende do tipo de arritmia que você tem.
      O bisoprolol diminui a frequencia dos batimentos cardíacos e evita certas arritmias.
      Mas mesmo que você não possa tomar os psicoestimulantes para TDAH, existem outras opções de tratamento que são seguras.
      Não aconselho que você tome Ritalina sem uma boa investigação de risco e benefício.
      Também evite tomar compostos com cafeína, como chá verde, chá mate, coca cola, suplementes pré-treino e, é óbvio, o café.
      Se você curte muito um cafezinho, compre um descafeinado que também é uma delícia!
      Se quiser marcar consulta conosco, entre em contato com nossa secretária Neusa pelo número 11-940229838.

    1. De acordo com o consenso da Academia Americana de Cardiologia, pessoas portadoras de síndrome de Wolff-Parkinson-White (PR curto) podem tomar psicoestimulantes desde que com todos os cuidados e acompanhamentos do neurologista e do cardiologista.
      Sabemos que o uso de drogas ilícitas, especialmente as estimulantes podem causar arritmia fatal nos portadores de PR curto. Mas esse uso ilegal é feito em doses que não podem ser comparadas com o uso consciencioso e terapêutico dos medicamentos para TDAH.
      Caso deseje marcar consulta conosco, entre em contato com nossa secretária Neusa pelo número 11-940229838.

  3. Minha filha de 10 anos tem defict de atenção, o neuro prescreveu Ritalina 10mg, ela fez cirurgia de jatene logo que nasceu, não toma nenhum medicamento, ela pode tomar a ritalina.

    1. Olá Valéria,

      Recomendo que converse com o neurologista que prescreveu a medicação e discuta a segurança do tratamento no caso dela.
      Também é conveniente conversar com o cardiologista que a acompanha.
      Vai depender de como o coração dela está, principalmente na parte do ritmo cardíaco.

  4. Sou medico. Fazia uso de venvanse que matinha minha produção acadêmica e profissional num nìvel òtimo. Tenho 67 anos e sofri uma primiocardite ha 5 meses
    Apesar das melhoras, ainda apresento 40% da fração de ejeção e uma insuficiència cardìaca significativa. Desde então não mais fiz uso do venvanse mas minha atenção e iniciativa cairam muito, mesmo a atividade intelectual. Permaneço numa astenia muito desagradàvel, mas temo tomar o estimulante devido o problema cardìaco. Faço uso de carvedilol e enalapril duas vezes ao dia. Gostaria de uma orientação.

    1. Olá Roberto!
      Entendo sua preocupação e concordo que os psicoestimulantes devem ser evitados na sua condição.
      Penso que a guanfacina seria uma opção viável, caso seu cardiologista aprove.
      um abraço!
      Roger Soares

  5. Dr tenho 29 anos e tenho TDAH, estou tomando atentah senti uma leve elevação na frequência cardíaca (estou no começo do tratamento com dose de 30mg) tenho medo de desencadear uma arritmia cardíaca já que é uma patologia persistente na minha família materna inclusive minha mãe tem e faz tratamento.
    O atentah pode causar risco ?

    1. Olá Manuela,
      Existe um risco pequeno, sim.
      Recomendo que faça uma boa avaliação com cardiologista e pergunte se você tem alguma alteração cardíaca que possa lhe colocar em risco de ter uma arritmia pelo Atentah.

    1. Olá Tarcila,
      Em primeiro lugar, a hipertensão arterial deve estar totalmente controlada. O Venvanse pode aumentar um pouco a pressão e a frequencia cardíaca, então é preciso ter cuidado.
      Quando está tudo sob controle, é possível fazer um teste com doses baixas e observar o comportamento da pressão. Estando tudo bem, aí pode seguir o tratamento. Caso contrário, existem opções como a guanfacina que melhoram a atenção e diminuem a pressão.

  6. Bom dia, meu filho tem TDAH porém deu alteração no exame ECG, St ligeira v4 v5 atrial prematura frequente.
    Alta tensço ventrículo esquedo.
    Pediu que eu marcasse com cardiologista para ver as condições para liberar o medicamento para o TDAH.

    1. Olá Jaqueline,
      Embora os medicamentos para TDAH sejam seguros na maior parte dos casos, devemos prestar uma atenção especial nas pessoas que têm algum problema cardíaco. Especialmente se essas alterações estiverem relacionadas a arritmias, como é o caso. Aliás, não apenas os medicamentos para TDAH, qualquer medicamento deve ser muito bem avaliado nessa situação.

  7. Bom dia
    Sou cardíaca, com stent e fibrilação, tomo a rivaroxabana 20 e concor de 5. Tomo tb, concerta para TDAH e venlafaxina 75 para os fogachos causados pela menopausa.
    Tem algum risco ?

    1. Olá Cláudia,
      Como vc tem problemas cardíacos, com alteração de coronárias e arritmia, entendo que mesmo que esteja tomando um anticoagulante como a rivaroxabana, o uso de um psicoestimulante deveria ser evitado. Converse com seu médico e pergunte sobre os riscos dessa associação.
      Uma terapia cognitiva e comportamental pode lhe ajudar no TDAH sem lhe colocar em riscos adicionais.
      abraço,
      Roger Soares

  8. Estou tomando o atentar 18 mg, a 20 dias e estou sentindo meu coração dar umas aceleradas e principalmente quando estou dormindo e eu chego até acordar e meus olhos com sensação de ressecamento e estou com medo de suspender de maneira brusca. Vou retornar ao médico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You cannot copy content of this page

Acessar o conteúdo