Doença de Parkinson

by Roger Soares

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Doença de Parkinson

 

A Doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo que compromete as funções motoras relacionadas ao sistema extrapiramidal e também produz sintomas cognitivos, autonômicos e sensitivos. O tratamento especializado com neurologista treinado é capaz de proporcionar, além do conforto, a melhora da funcionalidade do paciente em sua vida cotidiana. Nos casos mais graves da doença, em que o tratamento medicamentoso não surte o resultado desejado ou provoca efeitos colaterais mais sérios, a opção pelo tratamento cirúrgico pode proporcionar um ganho na qualidade de vida e diminuir o grau de dependência do paciente.

 

As doenças neurodegenerativas são aquelas que comprometem o sistema nervoso e causam a morte precoce das células cerebrais de maneira crônica e progressiva. É como se o relógio biológico de certos grupos celulares estivesse acelerado, ocasionando o envelhecimento antecipado e a morte celular(esse processo é denominado apoptose). Os neurônios mais afetados pela doença de Parkinson e os responsáveis pela maior parte dos sintomas são os neurônios produtores de dopamina localizados na parte compacta da substantia nigra. Essa região está localizada no tronco do cérebro, no mesencéfalo. Os neurõnios situados nessa localização lançam seus prolongamentos para os gânglios da base que receberão a dopamina liberada.

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A perda dos neurônios dopaminérgicos provoca falta de dopamina nos gânglios da base. Acredita-se que somente após a perda de mais de 85% dos neurônios da parte compacta da susbtantia nigra do mesencéfalo é que começam a surgir os sintomas motores do Parkinson. Assim, os efeitos da doença de parkinson são causados pela falta de dopamina e podem ser amenizados com terapias que visam aumentar a quantidade desse neurotransmissor no cérebro. Existem medicamentos que atuam diretamente nos receptores de dopamina, simulando a ação dos neurônios perdidos na doença. Outros procuram diminuir a degradação da dopamina ainda produzida no cérebro, aumentando sua permanência. Contudo, a terapia que mais tem efeito é a da administração da L-DOPA (levodopa), um aminoácido precursor  da dopamina. O que a levodopa faz e aumentar a produção de dopamina pelas células ainda ativas, pela oferta em abundância do substrato necessário para a produção daquele neurotransmissor.

Embora seja considerado o padrão-ouro em termos de resposta terapêutica, a levodopa também tem suas ressalvas. Quanto maior a dose e maior o tempo de utilização da levodopa, maior a chance do aparecimento de efeitos colaterais pelo medicamento. Como a droga aumenta a atividade dopaminérgica de modo mais amplo, além de atuar nos receptores em que se espera, outros pontos do cérebro também são estimulados. A consequência disso é o surgimento das discinesias, movimentos involuntários ou contratura que acontecem no corpo do paciente, podendo estar relacionadas ao pico do nível sanguineo da levodopa ou distribuir-se de maneira erratica ao longo do dia.

Quando a situação é incontrolável com os ajustes finos de medicações e outros recursos terapêuticos adotados, pode estar indicada a cirurgia para o parkinson. Dentre as possibilidades cirúrgicas, a que mais tem produzido benefícios atualmente é o implante de um sistema de estimulação cerebral profunda. Por meio de um aparelho de localização estereotáxica, são introduzidos eletrodos, preferencialmente, em dois possíveis alvos: o globo-pálido interno ou o núcleo subtalâmico. Em casos em que o tremor é a principal manifestação, o núcleo ventral-intermédio do tálamo também pode ser utilizado.

Pelo caminho por onde foram inseridos os eletrodos ficam fios condutores que se conectarãoa geradores de pulsos elétricos que são implantados sob a pele do paciente, no nível do tórax, para ajustes posteriores por meio de um "controle remoto". Funciona da mesma maneira que um marca-passo cardíaco definitivo, só que o fio estimulador elétrico será localizado em um ponto específico do cérebro, ao invés de estar no coração. Quando a cirurgia é bem indicada e atinge resultado técnico satisfatório, é possível obter melhora de até 60% das discinesias e permite a redução das dosagens anteriores de levodopa. Também a rigidez, o tremor e a lentidão de movimentos podem melhorar com as medicações nessa nova situação.

O importante no tratamento da doença de Parkinson é que ele seja adequado às necessidades funcionais de cada paciente, levando em conta que a patologia o acompanhará por décadas. Também o estigma relacionado ao Parkinson vem sendo dissipado gradualmente por meio do esclarecimento que organizações mundiais e brasileiras têm promovido. O Mal de Parkinson é uma doença tratável e normalmente tem boa resposta terapêutica, desde que o tratamento seja administrado de forma conscienciosa e regular. O acompanhamento neurológico periódico é imprescindível.

Roger T. Soares
Neurologista
crm 69239 SP
Tel: 11-3266-7024/2476-0346
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