Tipos de Demências

Tipos de Demências

 

Quando se fala em demência, a maioria das pessoas pensa na Doença de Alzheimer que é realmente a principal causa de demência degenerativa. Contudo, outras formas de doença existem e que têm causas e evolução bem distintas do Alzheimer. A tarefa do neurologista ao se deparar com um paciente que vem perdendo a memória e outras funções cognitivas é saber se ele tem uma demência e de qual tipo. Nesse texto faremos uma breve explanação sobre as principais causas de demência e suas patologias associadas.

 

 

A Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência degenerativa. Sua causa é a degeneração dos neurônios(as células cerebrais) decorrente do depósito de duas proteínas anômalas entre as células e dentro delas: a proteína beta-amilóide e a proteína tau. Clinicamente é caracterizada pela perda lentamente progressiva da memória, associada ao comprometimento das funções de orientação no tempo e no espaço, linguagem etc.

Com a evolução da doença, além da perda das capacidades intelectuais, é freqüente observar-se alterações de comportamento como depressão, , agitação psicomoto, agressividade e outros transtornos do afeto. As alucinações visuais e auditivas não são incomuns conforme a doença avança. Com o passar do tempo, o controle motor também é perdido e o paciente tem dificuldade ou perda da capacidade de se locomover, perdendo também o controle da urina e fezes.

A duração média de vida do paciente com Alzheimer é de 5 a 9 anos, mas muitos vão bem além disso. As infecções intercorrentes colaboram para acelerar a doença e, eventualmente, causam o problema que termina a vida. Até o momento não existem tratamentos curativos para o Alzheimer, mas há várias medicações que diminuem os sintomas e até a progressão da moléstia.

 

A Demência Vascular

O Acidente Vascular Cerebral(AVC) se transformou, na última década, na principal causa de morte no mundo, ultrapassando o infarto do miocárdio. Além dos problemas motores e demais distúrbios neurológicos focais causados pelo AVC, também as funções intelectuais podem ficar comprometidas, levando a um quadro de Demência Vascular.

A doença vascular cerebral pode levar a um declínio cognitivo por vários mecanismos. Se uma pessoa tem um único AVCI grande o suficiente ou que seja localizado em um ponto estratégico do cérebro, isso já é o bastante para causar uma Demência Vascular. Essa forma de demência é chamada de Demência por Infarto Cerebral Único ou Estratégico.

Alguns pacientes têm vários AVC’s, destruindo diferentes áreas cerebrais e resultando na interrupção de várias conexões cruciais para o desempenho cognitivo. Isso é o que chamamos de Demência Multi-infarto. Cabe ressaltar que o fato de ter tido um AVC prévio continua sendo o principal fator de risco para o acontecimento de novos AVC’s. Por isso, as pessoas que já tiveram um evento vascular cerebral devem ter um acompanhamento estrito com neurologista e tomar as medidas necessárias para evitar a repetição do quadro.

Ainda dentro das Demências Vasculares, outro mecanismo implicado no declínio cognitivo é a doença de pequenos vasos. Pacientes hipertensos, diabéticos, obesos e com problemas de colesterol são especialmente sujeitos à degeneração dos pequenos vasos cerebrais que levam também a um quadro demencial. Como nesse caso são artérias muito finas que vão se fechando aos poucos, o indivíduo não tem os sintomas de um AVC típico. À medida que as lesões da substância branca do cérebro ocorrem, elas vão se somando até que se manifestam como perda de memória, atenção, concentração etc. Esse é o panorama da Demência Vascular causada pela Degeneração Vascular Isquêmica Subcortical. O importante é que o tratamento correto dos fatores de risco – diabetes, hipertensão e colesterol – pode evitar o surgimento dessa demência.

 

A Doença de Corpos de Lewy

Depois do Alzheimer, a Doença de Corpos de Lewy é a segunda maior causa de demência degenerativa. Seus sintomas são bastante diferentes do Alzheimer e podem se confundir com a doença de Parkinson com a qual compartilha certas características microscópicas.

A Demência de Corpos de Lewy está associada à deposição dos corpos intracelulares de Lewy. Esses corpúsculos são condensações de uma proteína denominada sinucleína e também ocorre na Doença de Parkinson. A diferença é que no Parkinson os depósitos estão predominantemente localizados na substância negra do mesencéfalo, enquanto que na Demência de Corpos de Lewy se distribuem por todo o cérebro.

De fato, a doença de Corpos de Lewy se manifesta com rigidez no corpo e lentidão motora, tal qual ao Parkinson, porém sem responder bem à medicação. Além do quadro motor, esses pacientes também apresentam com muita freqüência alucinações visuais estruturadas e costumam ver crianças, anões ou duendes. Outro sintoma interessante desse tipo de demência é um distúrbio de sono característico no qual o paciente sonha que está lutando e se debate durante a noite, correndo ou dando socos, podendo até mesmo atingir o(a) companheiro(a) ou cair da cama.

O distúrbio cognitivo na Doença de Corpos de Lewy é um pouco diferente da demência de Alzheimer. Antigamente, esse padrão era denominado de demência subcortical, termo que vem caindo em desuso. A característica principal é uma lentidão do pensamento, com rigidez mental, dificuldade de abstração e incapacidade para planejar e executar tarefas complexas. O comprometimento da memória ocorre um pouco mais tardiamente. A resposta ao tratamento e a forma de tratar também é diferente do Alzheimer.

 

A Hidrocefalia de Pressão Normal

Quando a produção e drenagem do líquido cefalo-raquidiano não ocorre adequadamente, pode haver um acúmulo de líquido no cérebro denominado de Hidrocefalia. Em alguns pacientes a hidrocefalia não determina um aumento importante da pressão intracraniana mas acaba levando a um comprometimento cognitivo e motor característico, denominado de Hidrocefalia de Pressão Normal.

O quadro clínico da hidrocefalia de pressão normal(HPN) é classicamente descrito por uma tríade composta de: declínio cognitivo progressivo(demência), dificuldade à marcha e incontinência urinária. O distúrbio cognitivo é também de característica “subcortical”. A marcha é feita com pequenos passos, o paciente tem dificuldade para fazer meia-volta, apoiando-se sobre um único pé como um pivô.

Quando a incontinência ou o distúrbio de marcha aparecem primeiro, a resposta ao tratamento é melhor. O indicado nesses casos é uma cirurgia para a colocação de uma válvula com a finalidade de drenar o excesso de líquor e diminuir a pressão no cérebro. Essa é uma das poucas demências potencialemente reversíveis e seu diagnóstico e tratamento correto é fundamental.

 

Outras Demências

Além das causas de demência acima mencionadas, existem ainda outras como as decorrentes de infecções, as degenerativas relacionadas à doença de Huntington, as degenerações frontotemporais, as paraneoplásicas e muitas outras que requerem atendimento neurológico especializado para a formulação do diagnóstico e do tratamento.

Uma fração considerável das demências pode ser reversível e deve ser diagnosticada precocemente por métodos adequados. A maior parte, ainda que irreversível e progressiva, também são sujeitas a tratamentos que alteram o curso da doença e melhoram a qualidade de vida do paciente.

O atendimento multidisciplinar ao paciente demenciado, incluindo a colaboração de neurolgistas, geriatras, psiquiatras, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais têm mudado a forma de enfrentar essas patologias tão desafiadoras. O envolvimento e preparação de familiares, cuidadores e outros profissionais de clínicas de longa permanência também se traduzem em conforto e respeito ao paciente.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Tel: 11-3266-7024/2476-0346

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