A Enxaqueca

by Roger Soares

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A enxaqueca ou migrânea é um dos mais de vinte tipos de cefaléias primárias, conforme a classificação da Sociedade Internacional de Cefaléia, revisada em 2004. As dores de cabeça, ou cefaléias, primárias são aquelas em que o único problema é a própria dor de cabeça. Isso significa que não são decorrentes de lesões anatômicas do cérebro(como tumores, aneurismas, sangramentos) ou das estruturas a ele relacionadas, tais como vasos, meninges, líquor etc. Contudo, as cefaléias primárias merecem atenção médica por comprometerem a qualidade de vida de seus portadores.

 

Entre as quatro categorias de cefaléias primárias da classificação internacional da IHS, a enxaqueca é a primeira e contém seis subtipos nos quais o paciente deve ser enquadrado para que se realize esse diagnóstico. Cerca de 18% das mulheres têm enxaqueca e 6% dos homens, segundo as estatísticas norte-americanas. Por ter características hereditárias, 50% dos pacientes têm parentes também com enxaqueca.

A enxaqueca pode ser precedida de sintomas neurológicos denominados de aura, outras vezes ocorrem apenas os sintomas da própria crise, com dor de característica pulsátil geralmente maior de um lado da cabeça. Assim se classificam as enxaquecas em migrânea com aura ou sem aura, que são os subtipos mais comuns, além dos outros 4 subtipos.

Os critérios para definição de um quadro de migrânea sem aura foram revisados e atualmente são requeridos:

 

A. Ao menos 5 ataques (crises de dor) que preencham os critérios B–D

 

B. Crises de cefaléia que duram 4–72 horas (se não tratadas ou sem tratamento efetivo)

 

C. A cefaléia deve ter pelo menos duas das seguintes características:

1. localização unilateral

2. qualidade pulsátil

3. dor de intensidade moderada a severa

4. agravamento com ou indução de evitação de atividade física cotidiana (ex. caminhar ou subir escadas)

 

D. Durante a cefaléia pelo menos um dos seguintes:

1. náusea e/ou vômitos

2. fotofobia e fonofobia

 

E. Não atribuível a outro distúrbio

 

migraine-headache

A partir de um diagnóstico adequadamente elaborado por um especialista, é possível programar um tratamento voltado para duas ações: o controle da crise aguda e a prevenção ou profilaxia de novos episódios.

Considerando o impacto que uma crise de enxaqueca tem sobre a produção e a vida de uma pessoa, políticas de tratamento emergencial estratificado dos ataques têm sido discutidos no meio científico. No Brasil, temos procurado adequar as condições dos prontos-atendimentos e salas de emergência para proporcionar o ambiente necessário às medidas não-medicamentosas. Também os medicamentos mais modernos indicados em crises já se encontram à disposição e sua utilização deve ser orientada por especialista.

O melhor é conseguir evitar que o paciente necessite recorrer ao atendimento de pronto-socorro. Para isso, muitas vezes orientamos certos esquemas de tratamento para as crises de dor que podem ser utilizados de acordo com o tipo de dor. Por exemplo, alguns pacientes ficam com 3 esquemas à sua disposição: uma para o tratamento da crise, outro no caso de não responder ao primeiro esquema(plano de backup) e um terceiro para os casos de dor persistente(plano de resgate). Dessa maneira conseguimos evitar a perda de muitos dias de trabalho e melhorar a qualidade de vida dos nossos pacientes. Se imaginarmos uma pessoa que tenha três dias comprometidos pela enxaqueca todo mês, isso significa a perda de mais de um mês por ano.

Nos casos em que as dores de cabeça são muito frequentes ou incapacitantes, a visita ao neurologista permite a administração de um tratamento profilático, evitando o surgimento das dores, diminuíndo sua intensidade, frequência e duração. O importante é que o paciente procure ajuda e trabalhe junto com seu médico para encontrar o esquema terapêutico que melhor se ajuste ao seu problema.

Além dos medicamentos disponíveis para prevenir as crises, a adoção de hábitos de vida saudáveis auxilia no controle do problema. Aconselhamos uma disciplina de sono regular, exercícios aeróbicos pelo menos três vezes por semana, aulas de yoga ou tai chi chuan ou outras formas de controle do estresse. No que se refere à dieta, existe um mito em torno de certos alimentos, como o chocolate, em que esses desencadeariam as crises. O fato é que, especificamente em relação ao chocolate, os estudos científicos não comprovaram essa associação. Uma das hipóteses é que certas pessoas têm sintomas prodrômicos mesmo antes da aura e que um desses sintomas pode ser o desejo por certos alimentos. Quando a pessoa come, na verdade ela já está no início da crise e não se percebeu.

Algumas pessoas têm enxaqueca se dormem demais no final de semana. Muitas vezes isso acontece por uma reação de abstinência à cafeína. Nesses casos, aconselhamos que o paciente acorde cedo, tome uma xícara de café e volte para a cama para dormir o quanto quiser. Problema resolvido!

Sabemos que a enxaqueca tem uma origem genética, em grande medida, e que o desequilíbrio bioquímico relacionado à doença é algo que o paciente levará por praticamente toda a vida. Isso significa que a enxaqueca não tem cura. Muitas pessoas nem se lembram do que é viver sem dor de cabeça. Porém, temos vários tratamentos disponíveis que melhoram bastante a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Buscar um especialista e seguir suas orientações pode significar uma melhora considerável para quem sofre pela dor de cabeça, ou seja, o paciente e seus familiares.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Tel: 11-3266-7024/2476-0346

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