O que é o Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade - TDAH é um distúrbio do desenvolvimento do cérebro que interfere com o funcionamento de algumas capacidades cognitivas, como a atenção, a concentração, o autocontrole etc.

Os sintomas aparecem em geral antes dos 7 anos de idade mas podem ser notados até a idade dos 12 anos, quando as demandas escolares são maiores e as deficiências aparecem mais facilmente.

Para se fazer o diagnóstico de TDAH é preciso que o paciente tenha no mínimo 6 sintomas de déficit de atenção e/ou 6 sintomas de hiperatividade de uma lista de sintomas característicos. Além disso, é preciso que esses sintomas sejam fortes e frequentes o suficiente para afetar negativamente o funcionamento em pelo menos 2 aspectos da vida, como o acadêmico e o familiar. Por fim, os sintomas de déficit de atenção ou hiperatividade devem estar presentes por pelo menos 6 meses e não serem causados por transtorno desafiador ou dificuldade de entender as tarefas.

Até recentemente, pessoas com Transtorno do Espectro Autista não podiam receber o diagnóstico de TDAH mesmo que apresentassem todos os sintomas. Porém, com uma revisão dos critérios diagnósticos no DSM-V (Diagnóstico Estatístico de Doenças Mentais), abriu-se a possibilidade de se diagnosticar e tratar o Déficit de Atenção em pessoas com autismo e isso foi muito bom para esses pacientes.

Não se sabe exatamente a causa do problema, mas em 85% dos casos há outros membros da família que apresentam sintomas de TDAH, sugerindo um problema genético na maioria. As pesquisas apontam já para alguns genes implicados, especialmente o relacionado ao transporte de dopamina, mas a alteração de um único gene não é suficiente para produzir o fenótipo da doença.

Felizmente, cerca de metade das crianças com Déficit de Atenção e Hiperatividade têm uma resolução dos sintomas até chegarem na fase adulta, Isso acontece porque o cérebro pode ser capaz de se desenvolver em direção á normalidade. Se na infância em torno de 7 a 8% das pessoas têm critérios para o diagnóstico de TDAH, na fase adulta apenas 3-4% dos indíviduos preenchem tais critérios e necessitam de tratamento.

Outro número muito positivo é de que cerca de 80% dos pacientes respondem bem ao uso de medicamentos estimulantes do sistema nervoso central, como o metilfenidato e a lisdexanfetamina. De fato, o tratamento medicamentoso isolado é mais eficiente que todos os tratamentos não-medicamentosos. O melhor cenário é o da combinação do tratamento com psicoterapia cognitiva e comportamental, acompanhamento pedagógico e medicação apropriada. Os estudos ainda mostram que quanto mais cedo se inicia o tratamento, melhor é o resultado e maior a chance de não precisar continuar tomando remédios na fase adulta.

Finalizando, o diagnóstico de TDAH deve ser realizado sempre por um médico. Embora os psicólogos possam identificar os sintomas por meio de escalas e os testes neuropsicológicos evidenciem as alterações cognitivas, são necessários exames complementares e a intervenção médica para descartar outras doenças neurológicas ou gerais que podem cursar com sintomas semelhantes.

Estamos à disposição dos interessados de todas as faixas etárias para avaliar e, se for o caso, tratar o Déficit de Atenção e Hiperatividade seguindo as melhores práticas recomenadas internacionalmente.

 

Roger Taussig Soares
crm 69239 - SP
Neurologista
Tel: 11-3266-7024 ou 2476-0346
Cel: 11-94728-1322

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