Quando teremos a cura para o Alzheimer?

A primeira pergunta que o familiar de um paciente com Alzheimer faz ao médico no momento do diagnóstico é: Alzheimer tem cura? Claro que a maioria das pessoas já é bem informada e sabe, por meio de sites, revistas ou livros, que até o momento a doença de Alzheimer não tem um tratamento curativo. Mas fica sempre a esperança de que algo novo surja e mude o horizonte, trazendo a possibilidade de controle da moléstia. Quando a resposta do médico é negativa, confirmando o temor de que o paciente evoluirá indefectivelmente para a progressão da doença, sobrevém muitas vezes uma sensação do tipo “então não há nada a fazer”. Contudo, tratar uma doença não significa só curar, mas também controlar sintomas e principalmente aliviar o sofrimento decorrente do problema.

Para entendermos as dificuldades que os cientistas enfrentam na busca de tratamentos eficazes para Alzheimer precisamos compreender como a doença se desenvolve. Já falamos em outro texto que duas proteínas se depositam de modo anormal no cérebro de quem tem Alzheimer, são elas a proteína beta-amilóide e a proteína tau. Esses depósitos protêicos formam as placas amilóides e os emaranhados neurofibrilares, respectivamente, que estão relacionados à perda da conexão entre os neurônios e à morte celular que gera a atrofia cerebral visível na tomografia ou na ressonância.

Acontece que a deposição dessas proteínas anômalas começa muitos anos antes dos primeiros sintomas de comprometimento de memória ou alterações de comportamento. Quando o paciente é diagnosticado com base nos sintomas clínicos é porque a doença já vem se desenvolvendo no seu cérebro há quase 10 anos. Assim, os tratamentos que são iniciados nessa fase clínica já começam com o cérebro muito comprometido e seu alvo será no máximo diminuir o ritmo de evolução da doença ou aumentar a eficiência dos neurônios que ainda estão ativos.

O ideal é que pudéssemos evitar o acúmulo do beta-amilóide e bloquear a evolução da doença muitos anos antes das primeiras queixas e sintomas.É exatamente no caminho da detecção e tratamento precoce do Alzheimer que a ciência avança. Atualmente, há exames utilizados exclusivamente em pesquisa que são capazes de visualizar os depósitos de beta-amilóide anos  antes da instalação do quadro demencial. Um esforço de centros de pesquisa de várias partes do mundo está mapeando a evolução do Alzheimer nessa fase pré-sintomática para que novas estratégias de tratamentos sejam criadas de modo eficaz e seguro. As vacinas contra beta-amilóide são algumas das tentativas nesse sentido, embora ainda com alguns problemas e um pouco longe do uso clínico.

A expectativa da ADNI(Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative), o consórcio de pesquisadores internacionais em Alzheimer, é conseguir entender melhor a doença e ser capaz de adiar a instalação da demência por alguns anos. Quando conseguirmos isso, começaremos a ver uma queda progressiva no número de pessoas com a doença. 

Enquanto isso não ocorre, temos que ter em mente que tratar significa também diminuir o sofrimento e a incapacidade gerada pela doença. Para tanto, dispomos de medicamentos como os anticolinesterásicos que ajudam na memória, a memantina que favorece a funcionalidade, os antidepressivos que diminuem os problemas de humor e também os neurolépticos que controlam problemas comportamentais e alucinações. Além disso, temos estratégias não-medicamentosas para manter o paciente mais ativo e para auxiliar a família a conviver com as várias fases do Alzheimer. Por mais difícil que pareça, mesmo convivendo em uma situação adversa como a de uma doença degenerativa é possível encontrar momentos de bem-estar e razões para acreditar e prosseguir.

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