Causas de Alzheimer e os Fatores de Risco

by Roger Soares

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A doença de Alzheimer é uma patologia neurodegenerativa que atinge mais de 37 milhões de pessoas no mundo inteiro. Os principais fatores de risco são a idade avançada e as predisposições genéticas. Desde que temos vivido mais, também a incidência do mal de Alzheimer aumenta, tornando-se uma preocupação por suas implicações sociais, familiares e financeiras. Nesse artigo falaremos um pouco dos fatores de risco, incluindo aqueles modificáveis.

É comum atendermos filhos de pacientes com Alzheimer preocupados se podem eles também desenvolver a doença e como podem preveni-la. Sabemos que em até 5% dos casos, a doença é determinada geneticamente com uma transmissão do tipo dominante. Ou seja, com um dos pais afetados, a chance dos filhos desenvolverem a doença é de 50%. Felizmente, em 95% dos casos podemos herdar certas predisposições genéticas, mas que não têm o mesmo impacto das formas decorrentes de mutações genéticas como as que ocorrem nos genes da Proteína precursora de Amilóide e das pré-senilinas 1 e 2.

O principal fator de risco é realmente a idade avançada. Quanto mais velho, maior a chance de manifestar a doença. O Alzheimer ocorre em até 10% dos indivíduos em torno dos 65 anos e em até mais que 40% daqueles mais velhos que 85 anos, em alguns estudos científicos. Outros fatores genéticos também têm importância, em especial a presença do alelo 4 no gene da apolipoproteína E(APOE-e4). Os portadores de um alelo tipo épsilon 4 têm até três vezes mais chances de desenvolver o problema.

Até o momento, a idade e os genes são considerados fatores de risco não modificáveis. Os estudos genéticos não estão disponíveis para uso na população em geral e são reservados aos ambientes de pesquisa, onde podem ajudar a entender o desenvolvimento das lesões cerebrais no Alzheimer. É preciso também ressaltar que valorizar uma predisposição genética em um indivíduo normal torna-se um problema ético, já que não se pode oferecer qualquer tratamento preventivo baseado nesses achados.

É preciso entender que a Doença de Alzheimer depende da idade, de fatores genéticos e de outros fatores, alguns protetores e outros agravantes, que acabam por determinar em que idade a pessoa manifestará a patologia. Como não podemos dizer quem vai desenvolver a doença e com que idade, especular sobre o medo de familiares é algo completamente antiético.

Dito isso, podemos agora sugerir comportamentos que adotados ao longo da vida podem diminuir a chance de aparecimento do Alzheimer mesmo naqueles que tenham uma predisposição genética, ao menos teoricamente.

A circunferência do crânio na primeira década de vida e o crescimento corpóreo ao longo da segunda década estão relacionados a menor chance de desenvolver a doença e refletem um status sócio-economico mais elevado, com nutrição e estímulos físicos e cognitivos adequados.

Na vida adulta, a obesidade representa um risco aumentado para o Alzheimer. Curiosamente, na velhice a obesidade aparece como um “efeito protetor”, mas isso porque os doentes com Alzheimer tendem a emagrecer e ter menor índice de massa corpórea, gerando esse artefato estatístico. A resistência à insulina, como a que ocorre no diabetes mellitus tipo II, também está associada a uma maior chance de desenvolver Alzheimer.

A hipertensão arterial e as dislipidemias(aumento de colesterol e triglicérides) também são fatores de risco aumentado para Alzheimer. Observamos que há muitos fatores de risco modificáveis sobre os quais podemos investir nossas energias, com a finalidade de preservar nossas capacidades mentais tão valorizadas.

A alta escolaridade, considerada como mais de 11 anos de instrução formal, constitui-se no principal fator de proteção contra o Alzheimer. O uso contínuo das capacidades cerebrais por meio de estímulos intelectuais pode aumentar a reserva cognitiva, responsável por um retardo no aparecimento da doença. A atividade física moderada também é protetora e a dieta mediterrânea é também relacionada a uma menor chance de desenvolver Alzheimer.

É preciso ressaltar que o consumo de vitamina E não é comprovadamente eficaz como prevenção de demências e pode estar associada a um maior risco cardiovascular. O gingko biloba não foi confirmado como neuroprotetor nos estudos mais recentes. Tampouco o uso de anti-inflamatórios se mostrou como eficaz na prevenção da doença.

Portanto, adotar hábitos de vida saudável, exercitar corpo e mente continuamente, evitar os excessos e cuidar de condições existentes como hipertensão arterial, diabetes, obesidade etc parecem ser a melhor maneira de prevenir o Alzheimer e diminuir os fatores de risco para a doença sem colocar em risco sua saúde.

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