by Roger Soares

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O que é Esclerose Múltipla?

 
Considera-se que a Esclerose Múltipla (EM) seja uma doença auto-imune que afeta o sistema nervoso central. No caso da Esclerose Múltipla, a lesão começa com a destruição da bainha de mielina existente na substância branca do sistema nervoso central e por isso a doença é considerada do tipo desmielinizante. Como a destruição da mielina decorre do ataque imunológico dos glóbulos brancos do paciente contra seu próprio cérebro, dizemos que a esclerose múltipla é uma doença desmielinizante do tipo inflamatória e auto-imune.

O Sistema Nervoso Central (SNC) consiste no cérebro, na medula espinhal e nervos ópticos. Envolvendo e protegendo as fibras nervosas ou axônios(prolongamentos dos neurônios) existe uma lâmina de proteína e gordura denominada mielina, produzida pelos oligodendrócitos, a qual é indispensável para a condução rápida dos impulsos elétricos gerados pelos neurônios.

O Sistema Nervoso Central é acometido na Esclerose Multipla

Na Esclerose Múltipla a mielina é perdida na substância branca do cérebro e medula, deixando áreas de tecido cicatricial chamadas placas de esclerose. É devido a essas placas de esclerose distribuídas em vários pontos do sistema nervoso que temos o nome da doença Esclerose Múltipla, o que não tem nada a ver com o que popularmente dizem da pessoa sem memória “que ficou esclerosada”. A Esclerose Múltipla é uma doença de adultos jovens e raramente se manifesta depois dos 50 anos.

O oligodendrocito produz a mielina do Sist. Nervoso Central

Nas primeiras fases do desenvolvimento das placas de desmielinização, apenas a bainha de mielina e as células que a produzem, os oligodendrócitos, é comprometida. Isso lentifica a passagem dos impulsos nervosos mas não os impede completamente. Conforme a lesão avança, as fibras nervosas ou axônios da área também são lesadas ou rompidas e então, o dano é completo e irreversível naquele ponto. A expressão radiológica das placas de desmielinização são as lesões com hipersinal em T2 e FLAIR na ressonância magnética de encéfalo. Já os danos axonais se manifestam como buracos negros (Black holes) nas imagens em T1 da ressonância.

A mielina não somente protege as fibras nervosas, como também torna seu trabalho possível. Quando a mielina ou a fibra nervosa é destruída ou danificada, a habilidade dos axônios de conduzir impulsos elétricos é comprometida, e isso produz os vários sintomas da EM. De acordo com o local da lesão, aparece um sintoma específico.

Pessoas com EM podem experimentar uma das quatro formas clínicas da doença. Cada uma das quais pode ser considerada leve, moderada ou severa.

 

• Forma Surto-remissão: Pessoas com esse tipo de EM apresentam episódios claramente definidos de exacerbação (também chamados ataques ou surtos). Esses são episódios de piora aguda da função neurológica com duração maior que 24 horas. Eles são seguidos de períodos de recuperação parcial ou total(remissão). Frequência: É a forma mais comum de EM no momento do seu diagnóstico inicial. Aproximadamente 85%.

 

• Forma Progressiva primária: Pessoas com esse tipo de Esclerose Mùltipla experimentam uma lenta mas quase continua piora de sua doença desde sua instalação, sem surtos ou remissões distinguíveis. Entretanto, há variações no ritmo de progressão ao longo do tempo, platôs ocasionais e pequenas melhoras temporárias. Frequência: Relativamente rara. Aproximadamente 10% dos casos.

 

• Forma Progressiva secundária: Pessoas com esse tipo de EM experimentam um período inicial da forma surto-remissão, seguido de uma piora contínua da evolução da doença com ou sem surtos ocasionais, pequenas recuperações ou platôs. Ao longo do tempo, essa forma determina uma deterioração progressiva neurológica e graus variados de incapacidade. Frequência: 50% das pessoas com EM tipo surto-remissão desenvolvem essa forma de doença nos 10 primeiros anos de seu diagnóstico inicial. Todavia, esses dados são de antes do surgimento das drogas modificadoras da doença, como os interferons e o acetato de glatiramer. Dados de longo prazo ainda são necessários para demonstrar se essa evolução é significativamente retardada pelos tratamentos atualmente disponíveis.

 

• Forma Progressiva com surtos: Pessoas com esse tipo de EM experimentam um piora progressiva da doença desde sua instalação, mas têm também claros episódios agudos de exacerbação, com ou sem recuperação. Diferentemente da forma surto-remissão, os intervalos entre os surtos são caracterizados por progressão continuada da doença. Frequência: Relativamente rara. Aproximadamente 5%.

 

Considerando que cerca de 85% dos pacientes têm a forma surto-remissão e que mais 5% tem forma progressiva primária com surtos, podemos afirmar que a principal característica da Esclerose Múltipla é que ela se manifesta com períodos de piora e de melhora. Os períodos de piora são os chamados surtos e os sintomas dos surtos dependem do local do sistema nervoso central.

Os sintomas podem ser de vários tipos, tais como: perda visual em um olho, perda de coordenação, formigamento nas mãos ou pernas, fraqueza nos membros inferiores, perda do controle da bexiga urinária etc. Considera-se um surto de doença o aparecimento de um sintoma novo ou uma piora aguda de um sintoma pré-existente com duração maior que 24 horas. A presença dos surtos com evidências objetivas de acometimento do sistema nervoso central ao exame neurológico é necessária para que se faça o diagnóstico de esclerose múltipla.

Teoricamente, o diagnóstico é feito a partir do segundo surto de lesões localizadas em pontos diferentes do sistema nervoso central e que tenham ocorrido em tempos diferentes. Com a intenção de iniciar o tratamento da doença o mais cedo possível, foram desenvolvidos critérios diagnósticos que procuram substituir a necessidade de um segundo surto por outras evidências de disseminação das lesões no tempo e no espaço. Os critérios mais adotados no momento são os Critérios de McDonald revisados em 2005. Em 2010 um novo critério diagnóstico auxiliado por ressonância foi proposto pelo European Magnetic Resonance Network in MS (MAGNIMS), esse novo critério facilita a comprovação de disseminação no tempo e espaço e necessita de apenas um exame para o diagnóstico.

Lesões de hipersinal em T2/FLAIR na ressonância

Enquanto não preenche os critérios diagnósticos para Esclerose Múltipla, o paciente que foi acometido por uma única lesão ou surto de caráter provavelmente desmielinizante é considerado como tendo uma “Síndrome Clínica Isolada”. Existem estimativas que procuram distinguir quais pacientes com Síndrome Clínica Isolada têm uma maior chance de converterem para Esclerose Múltipla definitiva. Os casos assim reconhecidos se beneficiam de um tratamento que diminui a chance de conversão em até 50%.

Em linhas gerais, pode-se dizer que a área das doenças desmielinizantes, com a esclerose múltipla como principal exemplo, foi uma das que mais se desenvolveu nas últimas décadas. Embora a doença seja de difícil controle, é seguro dizer que os indivíduos acometidos por essa patologia tem muito melhor tratamento e qualidade de vida do que os pacientes da geração anterior aos agentes modificadores de doença. Existe mais suporte para pacientes e familiares, mais conhecimentos disponível e muita pesquisa promissora em andamento.

Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Tel: 11-3266-7024/2476-0346

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